segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

QUINTO DIA - JACUPIRANGA A ILHA COMPRIDA - 75 KM / 09/01/2016

Hoje acordamos com o barulho de chuva, lá fora. Apesar de 'não sermos de açúcar', é bem desanimador sair com chuva. Bom... fomos fazer nosso café e deixamos as pré-ocupações para mais tarde...

O café aqui é bem gostoso. Tinha pães, bolos, pastéis e frutas.





Para nossa 'alegria', a chuva reduziu e quando saímos estava apenas uma leve garoa. 

Descrição da rota de hoje: Jacupiranga > Ilha Comprida 75 km
Jacupiranga > Bairro Primavera > Pariquera-Açu > Estrada do Jeirê > Iguape > Ilha Comprida

Ontem, conversando com Renato, ele comentou sobre um caminho em terra para chegar em Pariquera-Açu. Ele disse que é uma das trilhas mais bonitas e legais por ali. Por isso, decidimos que, ao invés de seguir reto por asfalto, faremos a trilha até lá. 

Sobre a BR 116



Novamente estamos em solo desconhecido. Temos apenas a informação de Renato: que a trilha era legal! A princípio não parecia uma 'trilha'. Era apenas um estradão bem legal. 


De repente a estrada foi ficando com mais buracos e mais estreita... do nada estávamos mesmos no meio de uma trilha.




Em certo momento a trilha foi ficando meio complicada. Tinha barro e subidas. Isso foi um prato cheio para quebrar a corrente da bike de Filipe. Ele ficou super estressado. Comentei com ele que não tínhamos alternativa... consertaríamos a corrente e seguiríamos em frente, visto que estávamos no meio da trilha de 14 km. Por sorte, depois da corrente consertada, a paz voltou e seguimos em frente. A trilha foi abrindo e a paisagem voltou a ficar muito bonita.












Saímos novamente do asfalto, agora, a três km de Pariquera-Açu. 





Passamos pelo centro da cidade, igreja matriz e quando chegamos em frente ao cemitério viramos a esquerda, para pegar outra rodovia. Andamos mais uns 10 ou 15 km até a entrada da estrada de terra, conhecida como Estrada Jeirê.




Aqui já passamos e gostamos muito! Basta seguir quase sempre em frente e aproveitar a paisagem.













Após uns 20 km chegamos em Iguape... sem chuva, como havíamos desejado!




Chegamos extremamente famintos! Já eram umas 14h00. Eu comi um pastel e Filipe 'bateu' um PF. Após, seguimos para Ilha Comprida para tentar achar um lugar para dormir.







Agora era o momento de dizer: 'Foi um super fim, super feliz'... mas a vida real é um pouco mais complicada que isso. Tínhamos R$ 130,00 em dinheiro, cartão de débito e crédito. Estávamos 'tranquilos'. Ao passar na Pousada Icaraí, lugar que pretendíamos dormir, descobrimos que estava lotada... assim como as próximas pousadas a seguir. Fomos até o Boqueirão e descobrimos que teria um show na cidade e, devido a isso, a praia estava 'lotada'. Bom... andamos um pouco mais e chegamos na rodoviária. As passagens somariam R$ 120,00 reais e precisariam ser pagas em dinheiro, pois não aceitavam nenhum tipo de cartão... Neste momento, Filipe olha para mim e diz: Vamos ter que dormir ao relento, pelo jeito... Seguimos procurando pousada e enfim uma poderia nos aceitar. O pernoite seria R$ 200,00. Apesar de uma fortuna, aceitamos. A moça nos pergunta: 'Forma de pagamento?' Respondo: 'débito...' ao que ela diz: 'Lamento, a Ilha inteira não está funcionando cartões. Pagamento, apenas em dinheiro.' Eu penso, tudo bem... vamos sacar. Mas ai, vem o balde de água fria - Não tem caixa 24h na Ilha, nem Iguape. Por aqui, somente banco Bradesco. Me sinto zonza... caramba! Eu tenho dinheiro, só preciso sacá-lo! Converso com Filipe e decidimos voltar para Iguape. Com muita sorte, conseguiremos achar um lugar que aceite débito, por lá. Voltamos para a cidade e após dois lugares, decidimos ficar numa pousada em frente ao braço de mar, que nos cobrou R$ 150,00 e nos serviu o café da manhã às 06h30 (fora do horário) para que pudéssemos chegar na rodoviária a tempo de pegar o ônibus, no dia seguinte. 


Quando fomos jantar, encontramos nossos queridos amigos de Sorocaba, Vantuir e Reni. Assim que nos encontramos, caiu uma chuva daquelas! Por isso, permanecemos ali, achando que passaria, mas ela foi insistente. Conversamos por horas sobre bikes, viagens, roteiros... foi muito bom!


No dia seguinte, quando chegamos a rodoviária, mais um susto. Meu digníssimo não havia trazido seus documentos... é isso que dá, sair cicloviajar de casa, rs. Bom, por sorte, carrego a cópia de sua habilitação em minha carteira. Ainda assim, sei bem que se a empresa quisesse, poderia impedir nossa entrada no ônibus. Na fila das passagens, lembro-me do filme 'Prenda-me se for capaz'. Quando ele ia descontar os cheques, ele distraia a atendente. Comecei a rir e pensei: 'Meu Deus, lá vou eu fazer bandidagem.' Mas deu certo, desandei a falar e a moça simplesmente se esqueceu de me pedir os documentos. Depois, fiz o mesmo com o motorista que também não nos pediu. Passagens compradas, bikes no porta malas, nos ajeitamos no busão e dormimos gostoso. Acordamos na cabeça da anta e depois em Sorocaba, na hora de descer.



Viajar de bike tem seus muitos desafios... não é fácil, mas é muito bom! Há alguns dias, fui questionada: 'Não é muito cansativo?' Sim... em alguns momentos é claro que nos cansamos, afinal, não somos de aço! Mas viajar de bike é sentir a viagem em sua plena forma. Não é apenas 'ver' uma cachoeira... é entrar nela! Não é passar por uma fonte, na beira da estrada... é beber a água fresca, sedentos, pensando apenas nesta água, como sendo a melhor coisa do mundo! A natureza, plantas, flores e frutos... vez por outra ver um lagarto, um pássaro diferente, um esquilo, um coelhinho... um cachorrinho. Verdadeiramente, após ter conhecido o turismo de experiência, repudio e não tenho a menor saudade do turismo de consumo, turismo do caos, do congestionamento e do esgotamento. Quero passar por lugares sem deixar rastros... e levar coisas aqui dentro, que nos dias mais difíceis, servirão para me resgatar da tristeza, irritação ou depressão. 

E viva o cicloturismo!

Obrigada Jeová

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